Bancos: Médio porte tem melhor performance
Monitor Mercantil - RJ - MERCADO FINANCEIRO - 29/06/2009 - 22:46:42
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Das 33 ações de bancos
listadas na BM&FBovespa, 15 superam o Ibovespa Os bancos de médio
porte estão mostrando uma performance melhor neste primeiro semestre do
ano na comparação com as instituições de grande porte. De acordo com os
analistas de investimentos, a volta das captações para os bancos menores
faz com que estas instituições tornem-se atrativas para os investidores.
"O acesso renovado à captação é essencial para nossa projeção do
crescimento do crédito entre os bancos de médio porte", afirmam os
analistas do HSBC Global Research. Segundo os especialistas, a liquidez
saudável e os índices da Basiléia também contribuem para o crescimento do
crédito e possível recuperação das margens. No entanto, os índices de
qualidade devem ser monitorados. Das 33 ações de bancos listadas na
BM&FBovespa, 15 exibem performance acima do Ibovespa no acumulado do
ano até o pregão do dia 26 de junho, que mostra alta de 38,61%. Todos os
papéis são de instituições de médio porte, com exceção para as ações
ordinárias do Banco do Brasil. "Os bancos grandes permanecem com as piores
performances", destacam os analistas do Espírito Santo Equity Research
(BES). A maior valorização fica com as ações preferenciais do Bic Banco,
que exibem alta de 191% no ano. Já as preferenciais do Paraná Banco estão
na segunda colocação, com ganho acumulado no ano de 187,73%, seguidas
pelas preferenciais do Pine, 157,35%. Dentre os bancos de grande porte, as
ações ordinárias do BB registram alta de 51,2%; as preferenciais do
Bradesco 28,39% e as do Itaú Unibanco, 20,29%. No mês, o cenário não foi
muito diferente, 26 ações registraram uma performance acima do Ibovespa,
que registrou queda de 2,16%. Dentre estes papéis, quatro ações mostram
desvalorização, mas ainda abaixo da perda do índice: Nordeste do Brasil,
Mercantil Financeiro, Alfa Investimentos e Daycoval. As ações das instituições de grande
porte, com exceção do BB, também mostraram desempenho abaixo do índice.
"Este forte desempenho do setor de bancos pode ser resultado de uma
melhora na perspectiva para o cenário de crédito no Brasil, porém com os
números publicados pelo Banco Central para o mês de maio reforçamos a
nossa visão de um tímido crescimento, em especial para o primeiro semestre
deste ano. Ainda mantemos as nossas atuais recomendações e destacamos que,
num cenário de recuperação, o Banco do Brasil tenderia a ser o banco mais
bem posicionado para capturar esta melhora de cenário dado que sua
exposição no crédito é maior", explicam os analistas do BES. Captação
Estimula as captações dos bancos pequenos o programa RDB, lançado em março
de 2009 pelo Banco Central mediante a Resolução 3.692. A medida destina
garantir recibos de depósitos bancários (RDBs), por meio do Fundo
Garantidor de Crédito (FGC). O programa atua como um seguro governamental
para os depósitos a prazo, resultando em menos aversão ao risco por parte
dos investidores, facilitando, assim, o acesso desses bancos à captação
doméstica. O programa é limitado a R$ 5 bilhões por banco e, portanto, é
voltado para os bancos menores, sendo menos relevante para os grandes
bancos. O RDB garantido pelo governo deu o pontapé inicial para as
operações de crédito. O programa permitiu ao setor levantar R$ 8 bilhões
em captação básica desde o começo do segundo trimestre deste ano, e com a
redução na aversão ao risco, ocorreu também alguma atividade no mercado de
capitais. "Em nossa opinião, este é o alicerce do recomeço do crescimento
do crédito para os bancos de médio porte", afirma o relatório publicado
pelo HSBC. Crédito consolidado A sólida adequação do capital e a liquidez
contribuem para a reativação do crescimento do crédito, com possível
expansão das margens dos bancos menores, devido a redução dos custos de
captação de recursos. No mercado de crédito consignado, a escassez de
captação comprimiu as margens, fazendo com que alguns bancos de médio
porte desacelerassem suas operações nessa categoria. Agora, com a captação
básica renovada, as margens estão expandindo novamente e há um número
menor empresas de crédito consignado. "Com ampla liquidez, altos índices
de Basiléia e menores custos de captação, esperamos que as carteiras de
crédito dos bancos de médio porte voltem a crescer, especialmente em
consignado", projetam os analistas do HSBC. Índices de qualidade Apesar da
perspectiva positiva, os índices de qualidade precisam ser monitorados de
perto, especialmente na categoria de empresas do middle market. "O risco
de deterioração dos índices de qualidade, não apenas no mercado middle
market e o cenário de maiores provisões continuam sendo nossas principais
preocupações com o setor, justificando nossa atitude mais comedida em
relação aos bancos de médio porte", destaca o relatório do HSBC. Também
destacam que, embora haja maior potencial para reativação dos empréstimos
consignados, a preocupação está relacionada com a deterioração que o
segmento de empréstimos de empresas de médio porte pode causar na
qualidade base de ativos. "Acreditamos que as oportunidades atuais de
investimentos são menos claras tendo em vista a tendência destes
segmentos", alertam. Recomendações Assim, é preciso ter cuidado: nem todas
as instituições menores devem exibir bons indicadores. "As ações desses
bancos não estão mais tão descontadas em termos de avaliações, porém ainda
vemos algumas oportunidades atrativas", explicam os especialistas do HSBC.
Para eles, as apostas preferidas são: Daycoval e Sofisa OW. Já o Cruzeiro do Sul, o
Banco ABC e o Pine foram rebaixados. "Avaliamos que as ações dos bancos
concentrados em empréstimos em folha de pagamento (consignados) - Paraná e
Cruzeiro do Sul - já estão relativamente bem precificadas, em termos de
avaliação. Compreendemos que, Daycoval e
Sofisa, por conta de suas recentes decisões para reduções de custos,
possam ser opções de investimento mais interessantes, apesar de suas
elevadas exposições ao segmento de empréstimos corporativos para empresas
de médio porte (middle market)", justificam. Grandes Os dados de crédito
do Banco Central relativos a maio mostram expansão de apenas 0,9% em
relação a abril e 18,8% em relação a maio de 2008, uma leve desaceleração
na comparação com abril, quando o credito total cresceu 20,8% em relação
ao ano anterior. Os empréstimos, tanto para pessoas físicas como para o
segmento corporativo com recursos internos, continuam crescendo, mas
empréstimos para empresas com recursos externos continuam em queda de 6%
em relação a abril acima da queda de 5% apresentado em abril em relação a
março. "O crescimento, embora pequeno, tanto para pessoas físicas como
corporativa traz ganhos maiores para os Bancos grandes e em diferentes
formas para os bancos pequenos e médios. Assim, a nossa preferência
continua a ser para os grandes bancos, especialmente para o banco Itaú que
neste momento tem uma performance aquém dos pares e ganha com o
crescimento que os segmentos de empréstimos a indivíduos e corporativos
apresentam", afirmam os analistas do Banif Securities. As expectativas dos
especialistas são de que haja a continuidade a deterioração do nível de
inadimplência, sendo que essa deve ser a tendência, pelo menos até o final
do terceiro trimestre. A partir de então o nível de atrasos deve
permanecer estável decrescendo a partir de 2010. "Continuamos a esperar
uma taxa de crescimento sustentável para os grandes bancos de 3% com o
rentabilidade sustentável de cerca de 20%, apesar da redução na taxa
básica este ano", projetam.
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