Bancos médios esperam melhora no ritmo do crédito no 2º semestre

AE Investimentos - SP - ESPECIAIS - 26/05/2009 - 08:24:28


Os bancos médios estimam melhora nos níveis de concessão do crédito no segundo semestre, após um final de ano em que essas instituições estavam com dificuldades em acessar recursos e de um primeiro trimestre em que priorizaram o caixa. Passado o período mais crítico, os executivos do setor se valem da percepção de aquecimento na atividade econômica e maior confiança por parte dos consumidores para apostarem que as expectativas de melhora vão se concretizar. "Os recursos que estavam no caixa dessas instituições agora estão sendo destinados ao crédito", afirma o presidente da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), Renato Oliva. O dirigente lembrou que a busca da liquidez até março foi necessária para enfrentar a crise de confiança.
 
No primeiro trimestre do ano, o crédito no sistema financeiro nacional apresentou uma elevação de 1,1% em relação ao estoque registrado em dezembro, segundo dados do Banco Central. Boa parte das instituições menores atravessou o período contabilizando queda na carteira de crédito. Após ajustes nos produtos ofertados, a expectativa é de melhora a partir de julho. "O segundo semestre de 2009 será um período de ampla recuperação e com qualidade", diz Oliva.
 
A ABBC espera que o crédito no sistema financeiro tenha um incremento de 10% neste ano. A previsão é a mesma anunciada oficialmente em janeiro, mas Oliva lembra que a associação cogitou reduzir a projeção devido à expectativa de queda do Produto Interno Bruto(PIB) não só do quarto trimestre do ano passado, mas também no primeiro deste ano. Agora, com a percepção de recuperação da atividade econômica, os 10% prevaleceram.

Fundo Garantidor
 
Entre os fatores que contribuem para o aumento das concessões de crédito está a captação de depósitos a prazo com garantia especial (DPGE), aqueles que são garantidos pelos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os bancos de pequeno e médio porte já captaram R$ 6,135 bilhões por meio deste instrumento desde o seu início em 1º de abril - os dados foram apurados até ontem (dia 25) no site da Cetip. Como são de longo prazo, são mais adequados para o financiamento das operações de consumo, como crédito para a compra de veículos.
 
Conforme Oliva, os bancos aprenderam com a crise e estão mais maduros na concessão de empréstimos, buscando maior casamento entre ativos e passivos. "Com a crise, a estrutura e o controle de produtos e serviços se fortaleceram", diz.
 
O acesso aos DPGEs faz o Panamericano esperar um crescimento da carteira de até 15% neste ano. Em março, o total de empréstimos do banco era de R$ 8,813 bilhões, avanço de 13,7% em relação ao mesmo mês do ano passado e uma queda de 0,7% na comparação com dezembro. "Houve retração do consumidor até janeiro e agora começa a melhorar. E como estamos mais rigorosos, vamos fazer novos financiamentos com melhor qualidade", diz o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Wilson de Aro. Desde abril, o Panamericano já captou mais de R$ 700 milhões em DPGEs. Aro explica que, além da garantia proporcionada ao investidor, o banco acessa esses recursos com um custo menor, o que também beneficia o tomador final.
 
Foco no curto prazo

Já o Daycoval espera a confirmação da recuperação da atividade econômica para ampliar suas operações de crédito no segundo semestre. A melhora nas condições macroeconômicas fará com que o banco volte a trabalhar com prazos mais longos. Desde o acirramento da crise, a instituição tem concentrado a carteira em operações de curto prazo voltadas a pequenas e médias empresas e crédito consignado. O crédito direto ao consumidor (CDC) e o financiamento de veículos estão em segundo plano, mas deverão ganhar espaço a partir de julho. "Com a retomada do crédito é praticamente automática a volta dessas linhas", afirma o diretor executivo de Relações com Investidores, Morris Dayan.
 
Outras instituições esperam crescer com os recursos captados no ano passado. Antes do mercado externo se fechar em 2008, o Fibra, por exemplo, conseguiu captar US$ 540 milhões. Metade desses recursos vence em dois anos e outra metade entre dois e cinco anos. Com dinheiro em caixa, o banco teve tempo para repensar seu negócio. A instituição mudou o modelo de atuação no varejo, buscando operações de maior qualidade. "Saímos de setores ruins, como o financiamento de móveis populares, e optamos por outros segmentos, como turismo", afirma o vice-presidente executivo corporativo da instituição, Osias Brito.
 
A expectativa do banco é de que a carteira total cresça 15%, sendo que pessoa física deverá apresentar expansão de 40%. Para que a projeção se confirme, a instituição elevou as parcerias com redes de varejo. "O objetivo é aumentar o market share baseado nessa distribuição." Brito espera ainda que as condições econômicas melhorem e que haja espaço para acessar novamente o mercado externo. "O mercado vai voltar e isso possibilitará o alongamento do passivo", diz. O BES Investimento do Brasil (BESI), por exemplo, já conseguiu captar US$ 150 milhões com a emissão de eurobonds. Foi a primeira operação externa de um banco brasileiro desde setembro do ano passado.

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