Daycoval lança CDB conversível em ações

Gazeta Mercantil - SP - FINANÇAS & MERCADOS - 20/02/2009 - 02:16:16

São Paulo, 20 de Fevereiro de 2009 - O Banco Daycoval montou uma estrutura de captação inovadora para buscar funding no mercado e sustentar suas operações de crédito. O banco, especializado em middle market, fechou um acordo com investidores estrangeiros para a captação de R$ 410 milhões por meio da emissão de CDBs atrelados a bônus conversíveis em ações. Com papéis negociados na BM&F Bovespa, o Daycoval estenderá a oferta aos acionistas minoritários, o que pode elevar os recursos captados. A estrutura montada pelo banco para emitir o CDB simula uma debênture conversível em ações.

"Por sermos banco, não podemos emitir debêntures, o que nos forçou a ser criativos e montar este modelo de captação, pioneiro no mercado", explica Morris Daian, diretor de relações com os investidores do Daycoval. "Além de conseguir recursos para sustentar o crescimento das operações de crédito, o banco diversifica suas fontes de funding ao permitir que investidores globais participem do capital da empresa."

Para captar os R$ 410 milhões iniciais, o Daycoval fechou um acordo do qual participam, além da Daycoval Holding, controladora do banco, três investidores estrangeiros: Cartesian Capital Group, Wolfensohn Capital Partners e o International Finance Corporation (IFC). O Daycoval irá vender CDBs para os quatro investidores atrelados a bônus que poderão ser convertidos em ações preferenciais, no caso dos estrangeiros, e ordinárias para a holding controladora. "Cada um dos quatro participantes do acordo fará aportes iguais em CDBs do banco", explica Daian.

O rendimento médio dos CDBs, emitidos por cinco anos, será de 99% do CDI. Nos primeiros quatro anos, o retorno será de 110% do CDI e, no último ano, cairá para 55% do CDI. Antes do vencimento, há várias datas para que os compradores possam resgatar o bônus para a subscrição das ações ON ou PN. "É como se o investidor estivesse comprando uma opção e, nas datas estipuladas, pode converter ou não em ações, dependendo do valor dos papéis na bolsa", explica o diretor de RI.

Nos próximos 30 dias, os acionistas minoritários do Daycoval poderão participar da oferta e comprar os CDBs da instituição, caso queiram evitar a diluição no capital se os estrangeiros optarem por converter os papéis em ações. Morris Daian acredita que a demanda potencial dos minoritários chega a R$ 120 milhões, o que elevaria a captação total do banco a R$ 530 milhões.

Hoje, o banco possui 222,6 milhões de ações. A Daycoval Holding detém 100% dos papéis ON e 63,97% do capital total. Para a nova captação, via CDB, será realizada a emissão de 18,451 milhões de bônus de subscrição de ações ordinárias (bônus ON") para os detentores de ações ON - apenas o controlador - e 76,996 milhões de bônus de subscrição de ações preferenciais (bônus PN) para os detentores de ações PN. "Se os investidores estrangeiros optarem por converter os bônus em ações, o aumento de capital será de 25%", diz Daian. A idéia do Daycoval é registrar os bônus na CVM daqui a um ano, para que eles possam ser negociados no mercado. O banco fechou 2008 com uma carteira de crédito de R$ 4 bilhões e ativos totais de R$ 6,8 bilhões.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Jiane Carvalho)

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