Bancos médios reduzem carteira e aumentam reservas para ano difícil

DCI - SP - FINANÇAS - 19/02/2009 - 06:50:13

SÃO PAULO - Como forma de aumentar o conservadorismo frente à crise, os bancos ABC Brasil e Daycoval diminuíram sua alavancagem e aumentaram as provisões para crédito duvidoso (PDD).

Segundo o vice-presidente executivo do ABC, Sérgio Lulia Jacob, durante o quarto trimestre de 2008 foi necessário ter prudência e cautela. "Além de diminuir a nossa carteira de crédito, aumentamos as garantias." Segundo o executivo, até o terceiro trimestre, apenas 25% do portfólio do banco possuíam garantias. No último trimestre, esse tipo de crédito passou a representar 44% do total. A instituição contava com uma carteira de R$ 6,879 bilhões ao fim de setembro. No encerramento do ano, o banco possuía um estoque 5,7% inferior, de R$ 6,485 bilhões.

O lucro líquido recorrente do ABC teve uma queda de 36,2% no quarto trimestre em relação ao período anterior - R$ 30,9 milhões, contra R$ 48,4 milhões -, porém no ano foi 36% superior, atingindo R$ 160,7 milhões, ante R$ 118,2 milhões em 2007. Considerando a despesa de provisão adicional realizada no quarto trimestre, o lucro líquido publicado foi de R$ 150,1 milhões no ano e R$ 20,3 milhões no trimestre. Além disso, no último período do ano a provisão para devedor duvidoso (PDD) foi reforçada em R$ 17 milhões.

Já o Daycoval reforçou a PDD em R$ 68 milhões, segundo o superintendente de Relações com os investidores, Carlos Lazar. "Ao contrário, porém, das outras instituições, já vínhamos fazendo isso. No trimestre anterior, havíamos provisionado cerca de R$ 52 milhões." Dessa forma, o total provisionado pelo banco para fazer frente a um aumento na inadimplência supera os R$ 120 milhões.

Além disso, diz o executivo, o banco optou por coletar garantias na concessão de crédito, principalmente nas linhas de middle market e veículos. "Muitas vezes preferimos não renovar alguns financiamentos que apresentavam mais riscos", garante.

O lucro líquido do Daycoval no período de 2008 chegou a R$ 200,15 milhões, 13% inferior ao de 2007. "O resultado reflete a mudança de cenário. Conseguimos, porém, manter um resultado similar a 2007, o que mostra a consistência das operações", acredita o superintendente.

No trimestre, a instituição apurou um lucro líquido de R$ 36,7 milhões, 39,9% inferior ao mesmo período de 2007, em que conseguiu um lucro líquido de R$ 62,2 milhões.

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