Bancos ainda irão repassar quedas da Selic

DCI - SP - CAPA - 14/07/2009 - 08:07:17

SÃO PAULO - Os cortes da taxa básica que juros que vêm ocorrendo desde janeiro deverão ser repassados pelas instituições financeiras com alguma defasagem nos próximos 12 meses. Dados do Banco Central, do primeiro semestre, mostram que, enquanto alguns bancos tiveram cortes superiores a um ponto percentual em sua cobrança média para pessoa jurídica, na comparação entre os períodos de 19 de janeiro a 23 de janeiro e 24 de junho e 30 de junho, outros chegaram a aumentá-la.

Entre as grandes instituições, Itaú Unibanco e Santander se encaixam neste segundo caso. O primeiro, passou de uma cobrança média de 5,83% ao mês na linha de conta garantida, no início de janeiro, para 5,98% no período final de junho, alta de 0,15 ponto percentual. Já o grupo espanhol, na linha de capital de giro, de uma taxa média de 1,98% ao mês no início do ano, chegou a 2,29% ao mês no fim do semestre, um incremento de 0,31 ponto.

No início do ano, o Banco Central ainda fazia a medição do Itaú separada da do Unibanco - que mantinha uma cobrança média de 2,85% ao mês na conta garantida -, e do Santander à parte do banco Real, que cobrava um juro mensal de 3% no capital de giro. As instituições não haviam justificado os aumentos até o fechamento desta edição.

Apesar da pressão do governo, o Banco do Brasil teve o maior corte, entre as grandes instituições, em apenas uma das três linhas pesquisadas. Em capital de giro, a instituição diminuiu o juro médio em 1,12 ponto entre os períodos pesquisados, a 1,62% ao mês. O braço de investimentos do Itaú, Itaú BBA, foi a segunda maior redução, 0,61 ponto, a 1,47% ao mês. Em desconto de duplicata, o BB também conseguiu se destacar, com um corte de 0,7 ponto, a 1,99% ao mês, atrás apenas do Citibank, de 0,78 ponto, a 1,4% a.m.

No período entre janeiro e junho, a Selic caiu de 13,75% para 9,25% ao ano, queda de 4 pontos.

Para os analistas, a variação no repasse à cobrança é normal. "Cada instituição tem uma estrutura de custo diferente", diz o professor de Finanças do Insper, Alexandre Chaia. Segundo ele, a taxa básica não é o fator principal no spread dos bancos. "A Selic é a base das outras cobranças, mas cada banco tem o seu custo de operação, inadimplência, impostos e margem de lucro para embutir nos juros", diz o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Antônio Colangelo Luz.

Nas linhas pesquisadas, alguns dos bancos médios conseguiram reduções superiores aos grandes. Em capital de giro, o ParanáBanco cortou sua taxa em 1,17 ponto, a 1,3%, seguido pelo Banco do Brasil, que baixou 1,12 ponto, a 1,62% ao mês. Em conta garantida, o Daycoval se destacou, com redução de 0,92 ponto, a 2,97% mensais, à frente do Santander, que diminuiu sua taxa em 0,69 ponto, a 5,64%. Em desconto de duplicata, o banco Fibra teve corte acima das maiores instituições do País, de 1,21 ponto, a 1,5% ao mês, seguido por Citibank, com 0,78 ponto percentual a menos em seus juros, em relação ao início do ano, a 1,4% ao mês. Para Chaia, isso mostra uma estrutura de captação mais barata dos bancos de menor porte. "Eles elevaram sua cobrança no início do ano por problemas de caixa, e acabavam pagando caro para captar recursos. A situação melhorou com a criação do Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE)." O recurso atrai investidores por ter garantia do Fundo Garantidor de Crédito e já acumula estoque superior a R$ 9 bilhões, segundo dados do balcão Organizado de Ativos e Derivativos (Cetip).

Para Chaia, mesmo com uma Selic praticamente estável nos próximos meses, a tendência é de redução do spread nos próximos 10 meses. "A curva da queda vai depender da concorrência entre as instituições." Para ele, a redução no retorno por operação será compensado por um maior volume. "Tudo irá depender da percepção do risco das instituições e da demanda por crédito."

José Guerra

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